Não sou dessa era e não sei o que há do lado de lá. Eu que até então não me conhecia e que a mim não temia, temo já os meus versos. Eu, que agora me vejo, me decifro, me desejo e sinto até saudades de mim. Encontro-me cedo, breve e sem traços e me tomo em pequenos goles, na primeira refeição. Me tomo de tudo, porque me quero pra mim. Eu, que até então não sabia o quão real seria conhecer a si. E não sabia também, fechar o infinito ou enlouquecer com o sabor do egoísmo de ser seu fantasma e também, seu abismo. Não ser reflexo e sim espelho. Não ser vento e abstração. Eu, que descobri ser trilha incerta, talvez poeta ou rumos dispersos. Eu, que tão crente bailo quando consigo cantar esse meu canto tão perfeito e tão particular. Então, descubro ser pecado rubro, histórias do meu próprio punho e voz que não sabe calar. Eu, que tão logo vi que meu mundo não é como o dos outros e que a minha alma tem sede de astros e saudade desconhecida. Eu, que outrora não sabia me provar, descubro que por vezes e sem parênteses, sou tão primeira pessoa do singular.
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Singular
Não sou dessa era e não sei o que há do lado de lá. Eu que até então não me conhecia e que a mim não temia, temo já os meus versos. Eu, que agora me vejo, me decifro, me desejo e sinto até saudades de mim. Encontro-me cedo, breve e sem traços e me tomo em pequenos goles, na primeira refeição. Me tomo de tudo, porque me quero pra mim. Eu, que até então não sabia o quão real seria conhecer a si. E não sabia também, fechar o infinito ou enlouquecer com o sabor do egoísmo de ser seu fantasma e também, seu abismo. Não ser reflexo e sim espelho. Não ser vento e abstração. Eu, que descobri ser trilha incerta, talvez poeta ou rumos dispersos. Eu, que tão crente bailo quando consigo cantar esse meu canto tão perfeito e tão particular. Então, descubro ser pecado rubro, histórias do meu próprio punho e voz que não sabe calar. Eu, que tão logo vi que meu mundo não é como o dos outros e que a minha alma tem sede de astros e saudade desconhecida. Eu, que outrora não sabia me provar, descubro que por vezes e sem parênteses, sou tão primeira pessoa do singular.
domingo, 14 de julho de 2013
Sincero
Sopre mesmo a sua poeira
E os refúgios da sua pele
Sopre seus segredos lentos
Num sopro que te revele
Sopre seu salmo guardado
Sopre sua agonia
Sopre sua brisa leve
E dela, faz ventania
Sopra forte o seu crime
E mais forte a sua pena
Sopre sua alma em pó
Sem vergonha dessa cena
Sopre bem exagerado
E derrube esse ninho
Tire as penas da sua cara
Você não é passarinho.
terça-feira, 2 de julho de 2013
Um toque, dois retoques...
Sentimentos no papel. Alguns ciclos. Branco e vermelho. Azul e vermelho. Verde e vermelho. Porque é assim que eu gosto. Porque é assim que eu quero. Bem vivo. Bem perto. Bem. Com mágoas saborosas e curáveis. Com delitos espalhados e fiança pronta. Tudo pode. E quando não pode, paga-se. Jogue seu lance. Sue sua febre. Impere sua ordem. Grite sua alma dançante até a última chance. Tire a máscara, ponha a máscara, tire sua cara, mude sua cara, recoloque sua cara. Trame um sucesso. Nada de ilusão em vão! Vamos fazer com que haja sentido. Nada é pecado. Quebre a cabeça com quebra-cabeças.
"Abra suas asas
Solte suas feras
Caia na gandaia
Entre nessa festa
E leve com você
Seu sonho mais louco."
Lulu Santos.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Aniversário
Enchendo o papo
De ano em ano
A cada data
Mais Caetano.
Balões coloridos
Para escrever essa parte
Mas prefiro dinheiro
Palmas, velas e arte.
Sem graus de rubor,
Tenho direito a pedidos
Cem graus de café e cor
Sem açúcar, por favor.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Dó Ré Mi Fá
(...) Que passava por despóticos com um entusiasmo sem limites. Passava por heróis, por pessoas, por oásis. Passava firme e caprichosa. Flutuava bem leve e trôpega, linda. A saia rodada correndo por entre as pernas de um jeito simples e literal. A noite escura refletindo sua alma introspectiva e sufocada. Lamentos tão intensamente lindos e tristes. Passava sem correntes por toda a platéia, chamando atenção. De salto fino, tão resoluta. Aplausos fora de foco em meio ao seu pranto. Aplausos dados com corações. Tão dançante e tão reflexiva. Claves e fás com maquiagem. E assim, coisas verdadeiramente belas que quase ninguém percebe. Macia e prateada, mexia-se usando dedos ágeis. Passava com aquela calda negra de maneira mansa, só dela. Para alguns, nota de aprovação e para outros, nem tanto. Quase mulher. Dó. Ré. Mi. Fá. Notas de piano.
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Sertão
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Canto
Desafinados, os barulhos saem libertos
Carregando qualquer mensagem outrora
Sem hora, os sonhos fogem dispersos
Nunca mais objetos de penhora.
Sem partitura, o ritmo acontece
E o tempo dissolve-se sem agonia
A melodia corre para abraçar quem merece
A sensação é de amor e eufonia.
Inocente, revela segredos e mundos e céus...
Porções de desejos que a vida sequestra
Mas todo o encanto refugiado em mil véus
Fica bem sólido nessa simples orquestra
O vento sopra a música e apaga as migalhas
Capaz de fazer alguma paz surgir
Discreto e calmo desconhece batalhas,
O canto que só os anjos podem ouvir.
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